"O TÍTULO refere o soneto XXIX de Shakespeare ('When in disgrace with fortune and men's eyes').
A peça passa-se num reformatório, onde se encontram quatro rapazes com idades entre os 17 e os 20 anos.
Vivem na mesma cela.
A questão é a violência, quer entre eles, quer entre eles e o resto do reformatório, ou mesmo o exterior, de que não se vê nada, a não ser um guarda, mais velho.
A questão é, também, a da articulação da violência com relações afectivas, que, neste caso, são homossexuais.
Estreou em 1967, em Nova Iorque, e é uma peça típica, combativa, reivindicativa, que remete para algumas das coisas mais vitais no movimento gay.
Intrigantemente actual, é apresentada numa notável encenação de José Henrique Neto, com actores que se distinguem por uma representação directa, simples e extremamente subtil.
Os recursos materiais da produção sao nulos, o resultado é notável e exemplar"
João Carneiro
in Jornal Expresso
domingo, 15 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
OS OLHOS DO MUNDO E A FORTUNA NO ESPAÇO KABUKI
PROVAVELMENTE A ÚLTIMA OPORTUNIDADE PARA QUEM AINDA NÃO VIU,
E PARA QUEM QUER REVER!
Dois fins-de-semana:
6,7,8 e 13,14
22h
No espaço Kabuki:
http://www.kabuki.pt/center/
NÃO PERDER!
E PARA QUEM QUER REVER!
Dois fins-de-semana:
6,7,8 e 13,14
22h
No espaço Kabuki:
http://www.kabuki.pt/center/
NÃO PERDER!
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
CONSIDERAÇÕES SOBRE A VIDA E O ESPECTÁCULO
"No Teatro, como na vida, A comédia serve apenas para esconder a tragédia inerte às pessoas.
As pessoas dizem piadas, riem-se, divertem-se, mas… vá lá, nomeiem-me uma única pessoa que, por de trás dos olhos do mundo, não esconda um profundo olhar de tristeza… solidão?
Creio que, quem assim não for, guarda dentro de si um enorme e frustrante vazio. O que, só por si, é também uma grande tragédia.
Acredito no Teatro que faz rir, que diverte e diz piadas.
Acredito e exijo que, por de trás disto tudo, há que se fazer sempre sentir a tal inerente e eterna tragédia da vida.
Se assim não for, o espectáculo será sempre e apenas um profundo e frustrante vazio.
O que, só por si, é uma grande, uma enorme, estúpida e ridícula "tragédia"."
As pessoas dizem piadas, riem-se, divertem-se, mas… vá lá, nomeiem-me uma única pessoa que, por de trás dos olhos do mundo, não esconda um profundo olhar de tristeza… solidão?
Creio que, quem assim não for, guarda dentro de si um enorme e frustrante vazio. O que, só por si, é também uma grande tragédia.
Acredito no Teatro que faz rir, que diverte e diz piadas.
Acredito e exijo que, por de trás disto tudo, há que se fazer sempre sentir a tal inerente e eterna tragédia da vida.
Se assim não for, o espectáculo será sempre e apenas um profundo e frustrante vazio.
O que, só por si, é uma grande, uma enorme, estúpida e ridícula "tragédia"."
segunda-feira, 7 de julho de 2008
SOBRE A PEÇA E O ESPECTÁCULO
Da autoria de António Manuel Couto Viana, Era uma vez um dragão é uma comédia em verso, na redondilha maior da poesia popular e vicentina.
Com um enredo muito simples, apresenta-nos três amigos que, em tempos já muito antigos, saíram da sua terra em busca de aventura: Catrapaz, Catrapiz e Catrapuz. Catrapiz tenta assustar os outros dizendo ter visto um terrível dragão na noite anterior. Catrapaz, apesar de amedrontado, afirma-se capaz de desfazer o monstro em mil pedaços. Catrapuz decide dar-lhes uma lição. Através de disfarces consegue desmascarar as mentiras de um e a fanfarronice do outro. Tudo acaba bem e a amizade dos três sai reforçada.
O texto, ágil e alegre, resultou numa encenação que celebra o prazer do despique verbal, das danças, canções e jogos de 'faz de conta'. Assim se compõe um espectáculo apreciado por crianças, jovens e adultos e que exalta a mestria de um dos mais profícuos autores portugueses.
Com um enredo muito simples, apresenta-nos três amigos que, em tempos já muito antigos, saíram da sua terra em busca de aventura: Catrapaz, Catrapiz e Catrapuz. Catrapiz tenta assustar os outros dizendo ter visto um terrível dragão na noite anterior. Catrapaz, apesar de amedrontado, afirma-se capaz de desfazer o monstro em mil pedaços. Catrapuz decide dar-lhes uma lição. Através de disfarces consegue desmascarar as mentiras de um e a fanfarronice do outro. Tudo acaba bem e a amizade dos três sai reforçada.
O texto, ágil e alegre, resultou numa encenação que celebra o prazer do despique verbal, das danças, canções e jogos de 'faz de conta'. Assim se compõe um espectáculo apreciado por crianças, jovens e adultos e que exalta a mestria de um dos mais profícuos autores portugueses.
ERA (mais) UMA VEZ... UM DRAGÃO

O grupo 3-SETE-3 está de volta desta vez com a reposição de Era uma vez... Um Dragão, de António Manuel Couto Viana, que conta com a encenação de José Henrique Neto e a interpretação de João Vicente, José Redondo e Luís Lobão.
A não perder!
De 12 de Julho a 3 de Agosto 2008
Sábados e Domingos 11h00
Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul
Avenida Dom Carlos I, Nº61 Tel.:213973471
Sábados e Domingos 11h00
Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul
Avenida Dom Carlos I, Nº61 Tel.:213973471
quinta-feira, 22 de maio de 2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
segunda-feira, 7 de abril de 2008
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Mensagem Internacional
Existem várias hipóteses sobre as origens do teatro, mas aquela que mais questiona o meu espírito tem a forma de uma fábula:
Uma noite, em tempos imemoriais, um grupo de homens tinha-se reunido numa pedreira para se aquecer à volta de uma fogueira a contar histórias. Quando de repente, um deles teve a ideia de se levantar e usar a sua própria sombra para ilustrar a sua história . Socorrendo-se da luz das chamas, fez aparecer nas paredes da pedreira figuras maiores do que o natural. Os outros, deslumbrados, foram reconhecendo o forte e o fraco, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal.
No nosso tempo, a luz dos projectores substitui a luz da fogueira original e a maquinaria de cena as paredes da pedreira. E com todo o respeito por certos puristas, esta fábula recorda-nos que a tecnologia está na verdadeira origem do teatro, que não deve ser considerada como uma ameaça, mas como um elemento congregador.
A sobrevivência da arte teatral depende da sua capacidade de reinventar-se, utilizando novas ferramentas e novas linguagens. Caso contrario, como poderia o teatro continuar a ser o testemunho dos grandes embates da sua época e promover a compreensão entre os povos, se ele mesmo não desse prova de abertura? Como poderia orgulhar-se de oferecer soluções para os problemas de intolerância, de exclusão e de racismo, se, na sua própria prática, se recusasse à mestiçagem e à integração?
Para representar o mundo com toda a sua complexidade, o artista deve propôr formas e ideias novas e mostrar confiança na inteligência do espectador capaz de reconhecer , ele próprio, a silhueta da humanidade nesse jogo perpétuo de luz e sombra.
É verdade que, por brincar demais com o fogo, o homem corre o risco de se queimar, mas pode também ter a possibilidade de deslumbrar e de iluminar.
ROBERT LEPAGE QUEBEC, 17 de Fevereiro de 2008
Uma noite, em tempos imemoriais, um grupo de homens tinha-se reunido numa pedreira para se aquecer à volta de uma fogueira a contar histórias. Quando de repente, um deles teve a ideia de se levantar e usar a sua própria sombra para ilustrar a sua história . Socorrendo-se da luz das chamas, fez aparecer nas paredes da pedreira figuras maiores do que o natural. Os outros, deslumbrados, foram reconhecendo o forte e o fraco, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal.
No nosso tempo, a luz dos projectores substitui a luz da fogueira original e a maquinaria de cena as paredes da pedreira. E com todo o respeito por certos puristas, esta fábula recorda-nos que a tecnologia está na verdadeira origem do teatro, que não deve ser considerada como uma ameaça, mas como um elemento congregador.
A sobrevivência da arte teatral depende da sua capacidade de reinventar-se, utilizando novas ferramentas e novas linguagens. Caso contrario, como poderia o teatro continuar a ser o testemunho dos grandes embates da sua época e promover a compreensão entre os povos, se ele mesmo não desse prova de abertura? Como poderia orgulhar-se de oferecer soluções para os problemas de intolerância, de exclusão e de racismo, se, na sua própria prática, se recusasse à mestiçagem e à integração?
Para representar o mundo com toda a sua complexidade, o artista deve propôr formas e ideias novas e mostrar confiança na inteligência do espectador capaz de reconhecer , ele próprio, a silhueta da humanidade nesse jogo perpétuo de luz e sombra.
É verdade que, por brincar demais com o fogo, o homem corre o risco de se queimar, mas pode também ter a possibilidade de deslumbrar e de iluminar.
ROBERT LEPAGE QUEBEC, 17 de Fevereiro de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
BOAS NOTÍCIAS
A pedido de várias famílias, Os Olhos do Mundo e a Fortuna, terá uma nova temporada.
Desta vez na sala estúdio do Teatro da Trindade de 23 de Abril a 11 de Maio.
A não perder!
Desta vez na sala estúdio do Teatro da Trindade de 23 de Abril a 11 de Maio.
A não perder!
terça-feira, 11 de março de 2008
O sexo é um lugar (muito) estranho
Bruno Horta assistiu à estreia de uma peça sobre sexo, poder e delinquência.

Três rapazes delinquentes conversam e jogam às cartas, sentados em pobres camas de ferro. Dão-se mal uns com os outros, são rebeldes e revoltados. “O meu cu é mais bonito do que a tua cara”, diz um. “Aquele tem a mania que é o galo da capoeira”, diz outro. Estão num reformatório, mas as regras são iguais às de uma prisão de outros tempos. Há castigos físicos, uma cela solitária, guardas violentos. E muito sexo escondido.
É este o cenário de Os Olhos do Mundo e a Fortuna, peça do canadiano John Herbert (1926-2001), estreada a semana passada no Espaço Karnart – onde peças e performances de temática gay são bastante habituais.
Apresentada em duas partes, com intervalo pelo meio, a peça foi traduzida, adaptada e encenada por José Henrique Neto, de 52 anos, actor desde 1977 e fundador do grupo de teatro 3-Sete-3, que a leva a cena.
´Dos três rapazes, Queenie (João Vicente) é o único gay assumido – os outros são ambíguos. Adora exibir-se, é um desbocado. Arranja as sobrancelhas, discute com toda a gente, põe as plumas, rebola-se, canta e fala muito. Das zonas de engate, onde atacava antes de ser mandado para o reformatório. De prostitutos de rua que conheceu e que odeia. E da forma como, em troca de favores sexuais, consegue ser bem tratado pelos guardas. “Cheguei a primeira-dama alçando a perna esquerda e a direita.”
Apesar disso, a personagem principal não é ele, nem os dois companheiros de cela: Rocky (José Redondo) e Mona Lisa (Luís Lobão). É um novato que se lhes junta: Smitty (Tomás Alves). “O tipo de rapaz simples ‘às direitas’ que geralmente inspira simpatia à primeira vista”, lê-se na folha de sala. Ingénuo, no princípio, passará, em três tempos, a dominar os outros.
Para se perceber bem a peça é preciso lembrar que foi escrita há 41 anos, em 1967, quando o movimento de libertação homossexual, tal como o conhecemos, ainda não existia. Ou seja, é anterior ao episódio de Stonewall, em Nova Iorque, em Junho de 1969, quando um grupo de noctívagos gays se revoltou contra a violência da polícia.
Segundo a Encyclopedia of Canadian Theatre (online, gerida pela Universidade de Athabasca, Canadá), trata-se da “primeira peça a apresentar de forma chocante o tratamento que a sociedade dispensava aos gays e as condições desumanas das prisões”. À data, os actos homossexuais no Canadá eram punidos com pena de prisão até 14 anos.
Apesar de já ter sido traduzida, segundo aquela enciclopédia, para 40 idiomas e apresentada em mais de cem países, é a primeira vez que a peça chega a Portugal.
José Henrique Neto nota que “seria redutor encarar esta obra como peça gay”. A homossexualidade, diz, “é necessariamente preponderante nas prisões, mas aí, como em todo lado, o sexo só raramente está ligado a opções reais e ainda mais raramente ao amor”. O importante, diz, “é que as pessoas olhem para a obra como uma metáfora dos jogos de sexo e de poder que existem em todo o lado”.
Os Olhos do Mundo e a Fortuna, de John Herbert. Qua a Seg, 22.00. Espaço Karnart, R da Escola de Medicina Veterinária, 21.
terça-feira, 4 de Março de 2008
Revista Time Out
quinta-feira, 6 de março de 2008
terça-feira, 4 de março de 2008
29.
Se em desgraça com olhos do Mundo e Fortuna
Eu choro, proscrito e só, meu pobre estado
E o meu vão bradar os surdos céus importuna
E atento em mim e maldigo o meu fado,
Querendo-me igual a outro mais rico em esp'rança,
Seu par em amizades, como ele atraente
Invejando a este a arte, àquele o que alcança,
Com o que mais prazer me traz menos contente;
Neste pensar, que em desprezar-me se traduz,
Se penso em ti por grã ventura, então minh'alma,
Qual cotovia que emerge à primeira luz
Da terra escura, num cântico ao Céu se alumia;
Pois lembrar teu amor é estado de tal bem
Que nem por Reino eu trocara o que ele contém.
Eu choro, proscrito e só, meu pobre estado
E o meu vão bradar os surdos céus importuna
E atento em mim e maldigo o meu fado,
Querendo-me igual a outro mais rico em esp'rança,
Seu par em amizades, como ele atraente
Invejando a este a arte, àquele o que alcança,
Com o que mais prazer me traz menos contente;
Neste pensar, que em desprezar-me se traduz,
Se penso em ti por grã ventura, então minh'alma,
Qual cotovia que emerge à primeira luz
Da terra escura, num cântico ao Céu se alumia;
Pois lembrar teu amor é estado de tal bem
Que nem por Reino eu trocara o que ele contém.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
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