domingo, 17 de fevereiro de 2008

NOTA DE INTENÇÕES

Seria redutor encarar esta obra como “peça gay”. A homossexualidade é necessariamente preponderante nas prisões, facto que não é escamoteado, mas aí, como em todo lado, o sexo só raramente está ligado a opções reais e ainda mais raramente ao amor.
O que é específico, talvez, é o sexo ter um peso tão grande e directo nas relações de poder.
Por outro lado, importa dizer que há aspectos aqui retratados que não correspondem exactamente à lei ou ao sistema prisional português, tais como as penas ou medidas disciplinares aplicadas. As referências locais foram propositadamente diluídas nesta versão, que não pretende ser documental.
Interessa-nos a cela como metáfora, como microcosmo em ambiente de estufa das relações humanas em geral e das relações de poder em particular, interessa-nos entrever o que haverá de universal nesta situação específica, tentar perceber as diversas estratégias deliberadas ou inconscientes que se desenvolvem para conviver, sobreviver e preservar alguma dignidade quando o sistema instalado é corrupto e brutalizante, interessa-nos a fragilidade e raridade da compaixão e da ternura.

2 comentários:

Luana disse...

Não acho.... Acho que é uma peça que vai levantar tantas coisas, mas enfim, como disse estou lá.... Apoiar os meus manos e o fruto do seu trabalho, é o melhor projecto que poderia ter de momento!!

Wiylo disse...

27, 27...

ai que nervos